fbpx

Coaching Eleitoral funciona?

Coaching

A motivação da candidatura e da equipe de campanha com certeza é um aspecto importante para o bom desenvolvimento da disputa do voto. Porém, como tratei no artigo “Vence a melhor campanha, não o melhor candidato, a motivação sem estratégia é como uma alma sem corpo. 

A vitória eleitoral não é obra exclusiva da vontade, do estado de espírito. A disputa política é complexa, é uma atividade que composta por uma infinidade de componentes, a motivação é apenas uma destas partes. E como parte, não explica o todo. 

Motivação e vontade

A motivação, para fins eleitorais, deve ser traduzida como uma vontade consciente, coletiva e organizada dirigida a fazer a melhor campanha possível. 

A vontade deve ser consciente, porque a política, quando tratada por uma liderança, é paixão associada a razão

A vontade deve ser coletiva, porque uma liderança nunca deve estar isolada dos seus apoios, equipe e base eleitoral. A motivação individual não supera ou substitui a motivação coletiva, o nexo emocional com o eleitorado. 

A vontade deve ser organizada, motivação para desenvolver uma campanha deve estar associada a uma forte capacidade de planejamento, elaboração e disciplina estratégica. Sem isso, o destino depois de um ápice de motivação é a desilusão. E só se desilude quem vive uma ilusão. É necessário ter propósitos e sonhos, mas não ilusões. 

Coaching eleitoral: da depressão ao autoengano

Vejo se disseminar, como um vírus, a abordagem “coaching eleitoral”, uma maneira baseada na criação de “bem-estar” por meio do autoengano, e não do autoconhecimento. 

A ideia que “você pode vencer as eleições” apenas com sua força de vontade, apenas se comprometendo com você é algo, no mínimo, ingênuo para quem compra esta fórmula e certamente criminoso para quem vende.

É justa a busca por autoestima quando alguém encontra-se em um quadro de depressão, para quem precisa de motivação para superar desafios individuais. Porém a política não é um obra solitária, não depende apenas do indivíduo.  Quem sofre com o quadro clínico de baixa estima  deve primeiro resolver este problema com um especialista na área, e não usar a via eleitoral como válvula de escape.

 A abordagem coaching está estruturada na dimensão individual e nos últimos tempos tem sido usada como solução para qualquer questão. Quantas vezes você ouviu “basta força de vontade”?

Eu digo com toda a certeza, “não, não basta”. É preciso usar a força de vontade para adquirir outras habilidades, que serão ferramentas apropriadas para a carreira política. É preciso acumular conhecimento e capacidade política para de fato ser alguém relevante na vida pública. Evidentemente um coach não concordará com isto, por razões óbvias. 

Agora a realidade confirma minha posição. Por mais que eu queira, não serei astronauta, minha idade não permite que esta decisão se materialize, nasci em um país sem um programa espacial desenvolvido, não trilhei o caminho profissional das ciências aeroespaciais e possivelmente não irão precisar tão cedo de um cientista político em uma estação orbital. Por mais que eu queira, essa experiência não terei. 

Concluo dizendo que se você pretende pré-candidatar-se nas eleições em 2020, deve se concentrar em reunir as habilidades necessárias para desenvolver uma campanha viável. Sua motivação, mal entendida, será uma motivação mal aplicada, que terá duas consequências desagradáveis: primeiro a ilusão da vitória, depois a desilusão proveniente da derrota. 

Prepare-se seriamente. 

Pedro Otoni é cientista político, consultor de estratégia eleitoral, autor da Metodologia 3P- Estratégia de Pré-Campanha e sócio da Plataforma Possibilite. 

    Esta gostando do conteúdo? Compartilhe!