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3 maneiras de se perder uma eleição

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De repente se multiplicaram especialistas em eleições, do coach aos youtubers, todos apresentam o caminho fácil para a vitória eleitoral. Porém, a ilusão do atalho é a antecipação da derrota. 

  • Faça isso é será eleito. Faça aquilo e a vitória é garantida.”, anunciam aos montes pelas redes.

A questão é que ninguém, com o mínimo de conhecimento e profissionalismo, pode afirmar uma forma exata da vitória. Já tratamos deste tema no artigo Não há fórmula mágica ou infalível para a vitória eleitoral

Saiba agora três maneiras de perder uma eleição antes dela mesmo começar. 

1° – Comprar uma estratégia de campanha pré-fabricada

A estratégia eleitoral sempre é uma união de três fatores fundamentais: as forças e conhecimentos da campanha, a força e o conhecimento dos adversários, e a situação concreta do ambiente onde ocorre a campanha, no caso o município. 

Temos 5.568 municípios, cada um deles com situações  populacionais, econômicas, sociais, ambientais, tecnológicas e culturais diferentes. Como possuir uma estratégia única para realidades tão distintas? 

Teremos em 2020 mais de 500 mil candidatos, distribuídos entre partidos, posições ideológicas, segmentos eleitorais, condições financeira distintas. Como uma fórmula pré-fabricada pode atender a tudo isso?

Cada campanha deve elaborar sua própria estratégia, que deve ser única, porque cada candidatura é única. 

Se todas campanhas usarem a mesma estratégia, então todas as estratégias seriam previsíveis, e com isso, se perderia o sentido do próprio pensamento estratégico e a própria noção de disputa eleitoral. Se todos fazem a mesma coisa, seguem um mesmo padrão, então qual será a razão da escolha de uma candidatura em relação a outra, pelo eleitor ou pela eleitora?

Ferramentas e metodologias podem ajudar a melhorar o conhecimento de si, dos adversários e da realidade municipal, porém a estratégia é o uso prático de forças e conhecimentos, e isso é sempre diferente, muda de campanha para campanha.

2°- Não entender o modelo de negócio das redes sociais e plataformas digitais

Nenhuma rede social elege. As redes são apenas instrumento de uma estratégia. É a estratégia que vence, é ela quem dita os instrumentos que serão usados, o momento e a forma como serão usadas..

As redes sociais como Instagram, Twitter, Facebook, etc e plataformas de mensagem como o WhatsApp e Telegram são de propriedade de empresas privadas, cujo o momento de negócio depende da adesão de pessoas, venda de serviços, como impulsionamentos e anúncios.

Logo, tanto empresas, quanto os marqueteiros digitais, estimulam o uso das redes, anunciando que as mesmas é solução para as campanhas. Fazem por uma razão simples, o lucro.

Isso não significa abandonar o uso das redes sociais e plataformas, mas entender que é preciso de conhecimento e estratégia para utilizá-las a favor das campanhas. Caso contrário, o uso apenas aumentará a rentabilidade das empresas proprietárias. 

3°- Pensar que o marketing político é a mesma coisa que estratégia de campanha

Os marqueteiros defendem que para ter uma campanha imbatível, basta ter propaganda bem elaborada, com boa distribuição. 

A questão é que marketing político é parte da estratégia, e como é parte não substitui o todo. 

A estratégia eleitoral a ser definida passa pela pesquisa, pelo planejamento de campanha e pela projeção pública, esta última se relaciona com a comunicação, às demais criam conteúdo para o que será público, não o contrário. 

A maior parte dos filmes que tratam de processos eleitorais colaboram com uma visão equivocada de campanhas, criando um senso comum que a comunicação é a única coisa a ser feita. Mostram divulgação, os candidatos e candidatas em palanques, materiais de propaganda por todos os lados. Poucos se aventuram a tratar dos aspectos não divulgados, ou invisíveis para o público em geral. Esta não é uma preocupação que deve ser cobrada dos eleitores, mas candidatos e candidatas devem compreender que a realidade da política é mais complexa do que as obras de Hollywood. 

Um bom plano de marketing sempre é antecedido de uma estratégia bem elaborada. Caso contrário, a artificialidade da candidatura se tornará evidente.  Quando ocorre esta situação, a autenticidade da pessoa do candidato ou candidata, que é uma qualidade cobrada pelo eleitor, é corrompida, daí o voto se tornará mais difícil. 

Por fim

O que eu posso indicar, como cientista político, é que você deve procurar adquirir conhecimentos necessários à criação de sua estratégia, mas nunca utilizar uma estratégia criada por outros.

Em outros termos, a formulação estratégica é indelegável. Não deixe que coaches, youtubers e marqueteiros façam aquilo que só você pode fazer. O risco da derrota é seu, não deles.  

Pedro Otoni é cientista político, consultor de estratégia eleitoral, autor da Metodologia 3P- Estratégia de Pré-Campanha e sócio da Plataforma Possibilite. 

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